Ora aqui vai uma pedrada no charco.
Quantos anos é que leva um jovem cidadão a ser beneficiário líquido dos serviços que a colectividade põe à sua disposição? Tantos quantos os da escolaridade obrigatória, se ficar por aí! Se não, pelo menos uns quinze ou dezasseis anos. Fora as excepções, durante este período o jovem cidadão é um consumidor líquido, incómodo e exigente, de serviços públicos. E depois?
Antigamente todo o jovem macho, ao atingir a maioridade, assentava praça. Depois uns assentavam outros não. Agora parece que ainda há alguns que assentam praça, uma praça que mais parece um beco.
Evidentemente que o que está aqui em causa é o serviço militar obrigatório. E, evidentemente, esta é uma falsa questão. Sem discutir, para já, o serviço militar (obrigatório), a verdadeira questão é o SERVIÇO OBRIGATORIO! Militar ou não! Macho ou Fêmea!
Depois de dez ou quinze anos de consumidor ou consumista líquido, o jovem debutante na vida activa deveria fazer um estágio (cívico ou militar), uma espécie de tirocínio no exercício da cidadania em benefício da colectividade. O jovem deveria, pois, começar a sua vida activa com uma simbolica retribuição à colectividade como reconhecimento por tudo o que até aí recebeu dela. E tambem para alargar a sua própria dimensão humana e a sua experiência da vida. E tambem para, durante um curto período, todos os jovens cidadãos estarem, e sentirem-se, no mesmo patamar social. Não é facil perspectivar os enormes benefícios nos planos psicologico, intelectual, social, e mesmo profissional e político, que tal solução traria a cada jovem, às famílias e à sociedade em geral.
Claro que isto mexe com o comodismo de muita gente. E com os interesses de uns poucos. E com os paradigmas bolorentos. E com os Conselheiros Acácios, as Donas Micas, Os Meninos e as Meninas de todas as Mamãs e de todas as Vóvós. E com os filhos de todos os Senhores Doutores, de todos os Senhores Engenheiros, de todos os Senhores Importantes, balofos e míopes! E ainda com os filhos de todos os Criados de Toda a Gente, complexados sociais receando que os filhos, licenciados e desempregados, sejam criados de alguem. Em particular mexe com a mentalidade egoista e egocêntrica, consumista e irresponsavel que se está a instilar nos membros desta sociedade, em particular nos mais jovens. Sem eles saberem e sem imaginarem o que lhes poderá custar mais tarde!
Se cada um destes jovens, ao iniciar a sua vida activa, desse uma semana, um mês, três ou seis meses, a uma qualquer forma organizada, planeada e estimulante de serviço cívico, que benefícios não viriam para eles, num plano, e para a colectividade, noutro.
Imagine-se o que se poderia fazer em matéria de florestas e prevenção de incêndios, de apoio e recuperação de aldeias envelhecidas povoadas por idosos, de apoio a instituições de solidariedade social completamente gratuita e generosa, de cooperação com o terceiro mundo. E não é preciso ser muito imaginativo para se imaginar a infinidade de ocupações não forçosamente profissionais que se poderiam encontrar, com um tremendo impacte na população e na sociedade. Muito mais que qualquer desses Vulgarity Show da televisão.
Custos?
Se se souber mobilizar a generosidade e espírito de aventura da juventude pouco mais que os custos de organização e uma mesada simbólica para as necessidades básicas.
Organização?
Qualquer, embora as ONG (Organizações Não Governamentais) pudessem ter um papel precioso.
Vamos lá, meus senhores, deixem-se dessas tricas parolas e permanentes que já enjoam e criem qualquer coisa de novo e util! Há aí tanta gente nova, motivavel e generosa, à espera!
Vamos lá: dêem uma pedrada no charco!
Publicado por polilog em setembro 19, 2003 12:57 PM