setembro 22, 2003

MERCENÁRIOS, PRECISAM-SE!

Precisam-se mercenários, quanto mais maçaricos melhor, para resolver a produtividade e os problemas estruturais da economia nacional. Capacidade de amochar é um must. Oferece-se: precaridade, insegurança, imotivação, contrato a prazo e despedimento à vista! Salário a condizer!

Depois do tecido empresarial as forças vivas desta terra tentam a mercenarização da Administração Pública. Sob a bandeira da Reforma! Como se a reforma da Administração Pública fosse despedir gente agora para, mais tarde, pôr lá os nossos.

Aliás esta reforma assenta em bases ambíguas: diminuem-se os serviços públicos, diminuem-se os funcionários públicos e mantêm-se ou aumentam-se os impostos ainda que sob as formas mais “encaputadas”? E se os contribuintes deixarem de ser os carneirinhos inocentes a correr para o matadouro das recebedorias e passarem a organizar-se e a organizar contra-lobies para fazer face aos fortíssimos lobies da construção, das finanças, das indústrias, de todas as mafias desta terra? O que acontecerá se os contribuintes deixarem de ser uma manada de gnus a fugir à frente de dois ou três leões?

Evidentemente que a Administração Pública precisa de reforma. Mas esta reforma deveria começar pela procura de niveis elevados de competência, de produtividade, de satisfação dos cidadãos e, tambem, de satisfação dos próprios funcionários públicos, motivados, formados e conscientes da importância da sua missão. Depois disso, sim, a adaptação de efectivos feita dentro de padrões de equilíbrio e justiça social!

Claro que haverá muitos cidadãos, talvez habituais figurantes de programas de tv em directo, a bater palmas cada vez que um figurão fala em diminuição do elevado número de efectivos e dos respectivos custos. Mas nós, simples cidadãos anónimos, mudos e paralíticos, vamos pagar menos impostos por isso? Se sim, é um caso a considerar. Se não, desculpem mas estamos a ser roubados. Pelo menos nas nossas expectativas! E porquê? Porque continuaremos a pagar os mesmos impostos recebendo menos em troca, e passaremos a pagar os serviços públicos, agora privatizados, à taxa que o operador privado bem entender. Ele não está lá para perder dinheiro, pois não?

Claro, tambem, que uma reforma a sério e profunda precisa de cabecinhas arrumadas, honestas e competentes, dispostas a esse trabalho enorme e ingrato. Por favor indiquem três!

Então quais são as perspectivas que se desenham para quem trabalha por conta de outrem, privado ou público? A de ser um contratado a prazo, perdão, um contratado à vista! Certo! E quais são os benefícios que daí advirão? Para o próprio nenhum, para o empregador, provavelmente, alguma diminuição de custos, a curto prazo! E a longo prazo? O que se pode esperar dum bando de mercenários que hoje faz sapatos, amanhã coloca tijolos e no dia seguinte vende seguros? O menos que se pode esperar é que se torne num bando de incompetentes se não num bando de irresponsaveis.

Moral da história: Não se pode brincar com o social e o económico de grande escala. Não estamos no mundo do Harry Potter nem é altura de brincar ao aprendiz de feiticeiro! E parece que esta é a classe que mais abunda!

Publicado por polilog em setembro 22, 2003 03:07 PM
Comentários

sou paraquedista e estou a proucura de algo diferente ! perigo

Afixado por: alves em julho 7, 2004 01:32 PM