outubro 21, 2003

Propinas, notícias e governo

Os media vivem um boom. A dificuldade é escolher, no meio de tanta abundância, a notícia mais chocante que irá reter a atenção domesticada do Zé Papalvo.

Propinas, estudantes, pedofilia, um crime hediondo algures, e aí temos horas seguidas de noticiário, entrevistas, comentários. Tanta gente a viver á custa do mesmo! E tanta gente a esfregar as mãos de contente: enquanto eles estão entretidos com aquilo não se fala disto! Certo, não é?

Quem é que tem a coragem de pôr como notícia os graves problemas correntes do país e as asneiras que se fazem na sua governação quando há tanta coisa a encher o olho e o ouvido da BigBrotherice lusitana?

As propinas, e muitos dos outros factos, na realidade não são um problema: são somente um sintoma de como este país está mal.

As escutas telefónicas não são apenas uma vergonha para as pessoas envolvidas. Quando reveladas são um escândalo monstruoso pela chocante violação da privacidade dessas pessoas e da dignidade das instituições. A falta de respeito pela pessoa não augura nada de bom à comunidade que a aceita ou promove. A falta de dignidade das instituições não augura nada de bom ao Estado que não a impede e não a sanciona.

As instituições e as pessoas que permitem ou promovem essas revelações deviam ser reus de crime grave contra a Nação e o Estado porque são estas coisas que destroiem a alma nacional e que põem o país, a prazo, pelas ruas da amargura interna e externa. E quem faz isso não o faz sem interesse embora o possa fazer com uma vergonhosa e criminosa impunidade.

Publicado por polilog em outubro 21, 2003 01:38 PM
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