Os senhores comandantes sentiram-se feridos na sua honra e zarparam. No primeiro caso, e independentemente das circunstâncias, era a única saida digna e um exemplo que deveria ser seguido por muita gente.
A envolvente e as primeiras reacções é que são, no mínimo, muito discutiveis. Houve quem dissesse que não interessava a justiça, que tinha sido uma desautorização, uma ofensa muito grave. Portanto, a honra do senhor comandante estava acima da justiça, a autoridade do senhor comandante estava acima da lei.
Mas em que país e em que época é que nós vivemos? Num país de cavaleiros andantes ou quê? É possivel que o senhor comandante tenha razão, é possivel que não. É possivel que o senhor comandante seja vítima, é possivel que o senhor comandante seja culpado.
Em função do que se conhece da instituição não é dificil admitir que o senhor comandante tenha agido bem. Em função do que se passa nesta terra, e das reacções ao caso, não é dificil admitir que o senhor comandante possa não ter respeitado todas as formalidades.
Há que respeitar a honra e a dignidade do senhor comandante. Certo, mas há tambem que ter o mesmo respeito pelos agentes injustiçados, se os houver. E é preciso saber se os há.
Mas, sobretudo, e isso não se pode sequer discutir, há que ter respeito pela justiça e pela lei. E não foi muito evidente a presença em terreiro de qualquer cavaleiro andante a defender esta dama, pelo contrário, o que se viu foram aproveitamentos políticos ou corporativos, de muitas cores e de muitos niveis.
Ainda a propósito de honra e dignidade: o comportamento diário e corrente da instituição deve reflectir o espírito de quem a dirige ou quem a dirige deve impor o seu espírito no comportamento da instituição. E o que é que nós vemos, todos os dias, por esse país fora? Brigadas escondidas, camufladas, como caçadores furtivos, à espera que uma mosca desprevenida caia na sua teia - para depois receber a oportunidade de contribuir para a redução do défice - praticamente sem uma possibilidade viavel ou pouco onerosa de se defender no caso de actuação discricionária (mesmo que não desonesta) dos agentes.
Quando se fala de falta de civismo, de falta de educação da nossa gente, provavelmente o principal problema do país, será este comportamento das autoridades a melhor maneira de o resolver? Será assim que se sai da cauda da Europa? E qual é a reacção que isto provoca na massa anónima dos cidadãos? De certeza que não é o aumento do civismo ou do respeito pelas autoridades. Nem um melhor comportamento onde quer que seja.
Um último ponto: é facil lavar a honra numa passagem à reforma quando esta e as suas regalias são bem superiores às condições normais da maioria dos cidadãos. Quem dera a muita gente poder recuperar a sua honra assim.
Publicado por polilog em dezembro 5, 2003 02:33 PMEsta barafunda toda foi armada pela inépcia dos senhores governantes.
Isto é gente da loja dos 300....