Mais uma vez fica provado que isto anda tudo preso por arames e colado com cuspo. Não é com maçariquices governamentais, ainda que bem intencionadas, nem com geométricas soluções de lapis e papel preparadas no remanso dos gabinetes que se resolvem os grandes problemas deste país.
O comandante que gostava de helicópteros escandalizou o país, genuinamente uns, porque fica bem outros, porque lhes convem, outros ainda, os restantes porque são facilmente mobilizados pelos movimentos de opinião. Esteve mal o comandante ou lá quem foi, pronto, devem ser tomadas as medidas adequadas.
Mas, será este o grande caso deste país? Será isto a floresta? Ou não passará de um pequeno arbusto ampliado por um grande zoom para esconder coisas muito mais importantes? Nestas situações a primeira pergunta a fazer, por quem se preocupa com a verdade, é: A QUEM INTERESSA ISTO? A quem interessa toda esta mobilização contra o comandante, em primeiro lugar, contra os bombeiros, a seguir, até mesmo contra a instituição, por fim? No que é que a gente deixa de falar, o que é que deixa de ser investigado? Afinal onde está a floresta?
É um autêntico ex-libris: numa das avenidas mais importantes da cidade, apinhada de gente que circula pelo comércio e escritórios que se abrem em cada porta, uma dondocas passeia olimpicamente o seu dispendioso animal. A generosidade com que o bicho vai enchendo o passeio de bosta atesta bem o bom tratamento que tem, de certeza muito melhor que o dos sem abrigo que dormem nas transversais.
E não há polícia, municipal, estadual ou outro, nem padre ou cura, que ponha termo a este desaforo. Aliás, se se cruzassem com ela e com o seu ar altiva e aristocraticamente blasé, provavelmente nem a veriam ou não receassem a avalanche de chatices que teriam pelo contrário.
Pela maneira como os passeios se encontram povoados de caca de cão deve ser moda, por aqui, ter um destes animais em casa, nem que a casa seja um estúdio onde o animal mal se possa mexer. Se esta fosse uma terra com o sentido do negócio aí estava um grande furo: limpador de sapato sujo com merda de cão! E esta, hein?!
O Director Geral da Auto-Europa cessa funções e vai-se embora. Não sem antes receber uma condecoração do Estado, provavelmente bem merecida, mais do que muitas que são por aí distribuidas a torto e a direito.
Na realidade a Auto-Europa tem feito mais pela economia portuguesa que muitos desses recem milionários que pedem a protecção do Presidente da República e do Governo para depois irem vender as suas empresas aos estrangeiros.
A Auto-Europa não tem precisado de novos Códigos Laborais para fazer uma gestão calma da coisa laboral nem precisa de ser convidada ou anfitriã de Presidentes e Ministros para conseguir os seus objectivos e fazer os seus negócios.
Isto parece mostrar que o que nós precisamos não é de novos códigos e de protecções a tudo e mais alguma coisa, mas sim de EMPRESÁRIOS, GESTORES e POLÍTICOS a sério, competentes, responsaveis e com visão, em lugar dos arrivistas venais e bacocos que proliferam por aí, na babugem da especulação e do compadrio.
Quem ainda se lembra dos doutores da mula ruça? Não, concerteza, toda esta gente envolvida na produção em grande escala dos mesmos: ministros, políticos, famílias, fazedores de opinião, Professores Doutores, etc.
Pois é! Noventa por cento dos candidatos ao ensino superior tem colocação, uma grande parte dos cursos técnicos ficou às moscas.
Se ouvimos isto e não reagimos é porque estamos a caminho da extinção da espécie. É porque aceitamos que o ensino superior esteja só a produzir produto para estatísticas internacionais e candidatos ao desemprego ou a "caixas de supermercado". Cursos de lápis e papel!
A culpa é de todos, inclusive das famílias. Veja-se o ar babado dos pais: ... e o meu filho licenciou-se no ano passado! Então e o que faz? Bem ... anda à procura de emprego. Isto é o que normalmente acontece. Em contrapartida quantas vezes já se viu pais babados a dizerem: ... e o meu filho é canalizador! Canalizador? Sim, canalizador! Ganha dinheiro que se farta e não tem mãos a medir!
Precisam-se mercenários, quanto mais maçaricos melhor, para resolver a produtividade e os problemas estruturais da economia nacional. Capacidade de amochar é um must. Oferece-se: precaridade, insegurança, imotivação, contrato a prazo e despedimento à vista! Salário a condizer!
Depois do tecido empresarial as forças vivas desta terra tentam a mercenarização da Administração Pública. Sob a bandeira da Reforma! Como se a reforma da Administração Pública fosse despedir gente agora para, mais tarde, pôr lá os nossos.
Aliás esta reforma assenta em bases ambíguas: diminuem-se os serviços públicos, diminuem-se os funcionários públicos e mantêm-se ou aumentam-se os impostos ainda que sob as formas mais “encaputadas”? E se os contribuintes deixarem de ser os carneirinhos inocentes a correr para o matadouro das recebedorias e passarem a organizar-se e a organizar contra-lobies para fazer face aos fortíssimos lobies da construção, das finanças, das indústrias, de todas as mafias desta terra? O que acontecerá se os contribuintes deixarem de ser uma manada de gnus a fugir à frente de dois ou três leões?
Evidentemente que a Administração Pública precisa de reforma. Mas esta reforma deveria começar pela procura de niveis elevados de competência, de produtividade, de satisfação dos cidadãos e, tambem, de satisfação dos próprios funcionários públicos, motivados, formados e conscientes da importância da sua missão. Depois disso, sim, a adaptação de efectivos feita dentro de padrões de equilíbrio e justiça social!
Claro que haverá muitos cidadãos, talvez habituais figurantes de programas de tv em directo, a bater palmas cada vez que um figurão fala em diminuição do elevado número de efectivos e dos respectivos custos. Mas nós, simples cidadãos anónimos, mudos e paralíticos, vamos pagar menos impostos por isso? Se sim, é um caso a considerar. Se não, desculpem mas estamos a ser roubados. Pelo menos nas nossas expectativas! E porquê? Porque continuaremos a pagar os mesmos impostos recebendo menos em troca, e passaremos a pagar os serviços públicos, agora privatizados, à taxa que o operador privado bem entender. Ele não está lá para perder dinheiro, pois não?
Claro, tambem, que uma reforma a sério e profunda precisa de cabecinhas arrumadas, honestas e competentes, dispostas a esse trabalho enorme e ingrato. Por favor indiquem três!
Então quais são as perspectivas que se desenham para quem trabalha por conta de outrem, privado ou público? A de ser um contratado a prazo, perdão, um contratado à vista! Certo! E quais são os benefícios que daí advirão? Para o próprio nenhum, para o empregador, provavelmente, alguma diminuição de custos, a curto prazo! E a longo prazo? O que se pode esperar dum bando de mercenários que hoje faz sapatos, amanhã coloca tijolos e no dia seguinte vende seguros? O menos que se pode esperar é que se torne num bando de incompetentes se não num bando de irresponsaveis.
Moral da história: Não se pode brincar com o social e o económico de grande escala. Não estamos no mundo do Harry Potter nem é altura de brincar ao aprendiz de feiticeiro! E parece que esta é a classe que mais abunda!
Ora aqui vai uma pedrada no charco.
Quantos anos é que leva um jovem cidadão a ser beneficiário líquido dos serviços que a colectividade põe à sua disposição? Tantos quantos os da escolaridade obrigatória, se ficar por aí! Se não, pelo menos uns quinze ou dezasseis anos. Fora as excepções, durante este período o jovem cidadão é um consumidor líquido, incómodo e exigente, de serviços públicos. E depois?
Antigamente todo o jovem macho, ao atingir a maioridade, assentava praça. Depois uns assentavam outros não. Agora parece que ainda há alguns que assentam praça, uma praça que mais parece um beco.
Evidentemente que o que está aqui em causa é o serviço militar obrigatório. E, evidentemente, esta é uma falsa questão. Sem discutir, para já, o serviço militar (obrigatório), a verdadeira questão é o SERVIÇO OBRIGATORIO! Militar ou não! Macho ou Fêmea!
Depois de dez ou quinze anos de consumidor ou consumista líquido, o jovem debutante na vida activa deveria fazer um estágio (cívico ou militar), uma espécie de tirocínio no exercício da cidadania em benefício da colectividade. O jovem deveria, pois, começar a sua vida activa com uma simbolica retribuição à colectividade como reconhecimento por tudo o que até aí recebeu dela. E tambem para alargar a sua própria dimensão humana e a sua experiência da vida. E tambem para, durante um curto período, todos os jovens cidadãos estarem, e sentirem-se, no mesmo patamar social. Não é facil perspectivar os enormes benefícios nos planos psicologico, intelectual, social, e mesmo profissional e político, que tal solução traria a cada jovem, às famílias e à sociedade em geral.
Claro que isto mexe com o comodismo de muita gente. E com os interesses de uns poucos. E com os paradigmas bolorentos. E com os Conselheiros Acácios, as Donas Micas, Os Meninos e as Meninas de todas as Mamãs e de todas as Vóvós. E com os filhos de todos os Senhores Doutores, de todos os Senhores Engenheiros, de todos os Senhores Importantes, balofos e míopes! E ainda com os filhos de todos os Criados de Toda a Gente, complexados sociais receando que os filhos, licenciados e desempregados, sejam criados de alguem. Em particular mexe com a mentalidade egoista e egocêntrica, consumista e irresponsavel que se está a instilar nos membros desta sociedade, em particular nos mais jovens. Sem eles saberem e sem imaginarem o que lhes poderá custar mais tarde!
Se cada um destes jovens, ao iniciar a sua vida activa, desse uma semana, um mês, três ou seis meses, a uma qualquer forma organizada, planeada e estimulante de serviço cívico, que benefícios não viriam para eles, num plano, e para a colectividade, noutro.
Imagine-se o que se poderia fazer em matéria de florestas e prevenção de incêndios, de apoio e recuperação de aldeias envelhecidas povoadas por idosos, de apoio a instituições de solidariedade social completamente gratuita e generosa, de cooperação com o terceiro mundo. E não é preciso ser muito imaginativo para se imaginar a infinidade de ocupações não forçosamente profissionais que se poderiam encontrar, com um tremendo impacte na população e na sociedade. Muito mais que qualquer desses Vulgarity Show da televisão.
Custos?
Se se souber mobilizar a generosidade e espírito de aventura da juventude pouco mais que os custos de organização e uma mesada simbólica para as necessidades básicas.
Organização?
Qualquer, embora as ONG (Organizações Não Governamentais) pudessem ter um papel precioso.
Vamos lá, meus senhores, deixem-se dessas tricas parolas e permanentes que já enjoam e criem qualquer coisa de novo e util! Há aí tanta gente nova, motivavel e generosa, à espera!
Vamos lá: dêem uma pedrada no charco!
Será sempre nescessário um terramoto para se construir um Terreiro do Paço?
- Cai uma ponte, oh valha-nos Deus, vamos lá verificar todas as pontes.
- Há incêndios por todos os lados, está tudo ardido, oh que desgraça, vamos lá programar a luta contra os incêndios.
- Cai um viaduto pedonal, mas como é que isto pode acontecer?, vamos lá controlar todos os viadutos.
É assim Portugal, são assim os governantes portugueses, é assim que o povo gosta porque escolhe sempre os mesmos, aceita sempre as mesmas explicações, volta sempre a escolher os mesmos, nunca faz assumir verdadeiramente as responsabilidades. É tudo um fogo de palha: uma grande labareda, grandes promessas, grandes manifestações, a coisa passa, a coisa esquece, desgraçado de quem ficou com a coisa em cima!
Será que os nossos governantes, os nossos autarcas, os nossos técnicos, não são capazes de estudar, propôr, decidir as medidas necessárias antes que aconteçam as desgraças? Será que a população não é capaz de antecipar os desastres e exigir aos seus governantes e autarcas a tomada das medidas preventivas necessárias para os evitar?
Será sempre nescessário um terramoto para se construir um Terreiro do Paço?